5dez 2021
00:00 UTC
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Ainda! Os usos de ainda em amostras de redes sociais

Esse trabalho tem como objetivo o estudo dos usos de ainda a partir da análise de posts de redes sociais, em especial de tweets. A escolha desse objeto de pesquisa se deu a partir de reflexões ocorridas em sala de aula com jovens estudantes e trabalhadores de diferentes regiões do estado do Rio de Janeiro. Em uma de nossas aulas, nos deparamos com relatos de ainda tido como uma “nova gíria” carioca e fluminense, que funcionava como marcador discursivo de (re)afirmação. A partir desse fenômeno, buscamos compreender como ainda, comumente tido como advérbio temporal, passa a ter valor semântico-pragmático de afirmação e função discursiva. Para tanto, analisamos dados reais de uso da língua e adotamos o Funcionalismo e a Linguística Centrada no Uso (LCU) como modelo teórico e metodológico de pesquisa. A utilização do Twitter como principal corpus se deu porque buscamos usos nos quais o contexto sociocomunicativo seja de espontaneidade, maior informalidade e com a presença de falantes/escreventes jovens. Após a coleta de dados, fizemos a análise qualitativa, que consiste na observação dos níveis morfossintáticos, discursivo e semântico-pragmático. Aliada a esse processo foi a revisão bibliográfica, que nos auxiliou a elencar e a agrupar os usos de ainda. Encontramos 90 ocorrências de usos de ainda agrupados em , ao menos, três funções sintático-discursivas (adverbial, conexão e discursiva) e seis valores semântico-pragmáticos (tempo/aspecto, contraste, inclusão, concessão, ilocução, marcador textual). Portanto, considerando os fenômenos de gramaticalização, amplamente estudado pelos funcionalistas, e os processos de domínio geral, defendidos pela Linguística Centrada no Uso, entendemos que ainda está emergindo em novas categorias, notadamente, mais gramaticais, e estabelecendo novos usos na língua.