5dez 2021
00:00 UTC
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CONSTRUÇÕES COM VERBO (SEMI-)SUPORTE: A VARIAÇÃO NO USO DE PREDICADORES DE PASSIVIDADE NO PB

A presente comunicação propõe-se a apresentar parte de um estudo sobre predicadores complexos de natureza passiva formados por verbo (semi-)suporte cujos constructos são compostos por levar, tomar, sofrer, receber e ganhar – como levar uma pancada, tomar uma pancada, sofrer uma pancada, receber uma pancada e ganhar uma pancada – na disposição de cenários de teor negativo. Examinando dados oriundos de eventos de uso observados no Corpus do Português NOW, observamos, sincronicamente, o emprego das perífrases, no âmbito do português brasileiro, para representar uma predicação passiva que caracterize um afetar de natureza negativa e a variação construcional entre os pareamentos que viabilizam esse escopo de predicação. Tais manifestam-se estaticamente e, em razão da produtividade de seu acionamento, podem ser
entrincheirados como unidades aloconstrucionais em uma metaconstrução (espaço de neutralização na gramática mental dos falantes/ouvintes). Assim, por meio de uma análise de cunho qualitativo e quantitativo, o objetivo dessa proposta de tweets é (i) descrever as características (formais e funcionais) das perífrases,
(ii) delinear semelhanças e distinções entre as mesmas, considerando o lexema a preencher a posição de verbo (semi-)suporte, (iii) representar a relação de
variação/alternância em que se encontram, com base na associação de seus atributos, e (iii) situa-los entre os padrões com os quais dispomos na língua para propiciar
desfocalização ou supressão do participante força indutora na representação de um estado de coisas segundo uma perspectivação passiva. Para isso, contamos com os
pressupostos da Linguística Funcional-Cognitiva, da Gramática de Construções e da Sociolinguística (TRAUGOTT & TROUSDALE, 2013; GOLDBERG, 1995, 2006;
PEREK, 2015; CAPPELE, 2006; MACHADO VIEIRA, 2016; MACHADO VIEIRA & WIEDEMER, 2019; WEINREICH, LABOV, HERZOG, 1968).