5dez 2021
00:00 UTC
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Dialogando, desnormatizando e (re)existindo em espaços superdiversos: a escrita indígena em contexto universitário

Ao longo do tempo, sobretudo após o contato com as sociedades europeias, os povos indígenas brasileiros vêm adquirindo formas de produzir diálogos com grupos sociais, historicamente, tidos como colonizadores e, portanto, impositores de traços sócio-linguístico-culturais. Apesar de todos os problemas enfrentados por diferentes grupos sociais/étnicos excluídos e, consequentemente, minorizados, advindo do contato assimétrico permeado por relações de poder, os povos tradicionais estão sendo sujeitos partícipes dos ambientes universitários, resultante das lutas de movimentos sociais da causa indígena; nesse sentido, a academia começou a abrir seus espaços, embora com forte resistência de grupos academicamente dominantes, para novas propostas de saberes e para diferentes epistemologias, sobretudo, as que não são de base europeia. Nesse sentido, esta comunicação se configura como um espaço de divulgação dos primeiros resultados advindos da análise de textos escritos/produzidos por indígenas universitários, pós-graduandos em um Programa de Pós-graduação de uma universidade pública brasileira. Trata-se de uma pesquisa de base qualitativa-interpretativista e, fundamentalmente, desconstrutivista que, a partir da perspectiva derridadiana de escritura e de estruturalidade (DERRIDA, 1967, 1973), de processos de inter-relação social por meio de perspectivas interculturais críticas e, portanto, decoloniais (WALSH, 2003, 2007, 2008, 2009, 2010) e de como pesquisadores indígenas discutem a produção escrita por sujeitos indígenas (PESCA; FERNANDES; KAYAPÓ, 2020, KAYAPÓ, 2020), analisaram-se a produção escrita, em português, por indígenas que estão tentando produzir conhecimento escrito em um contexto não indígena, e, sobretudo, solidamente demarcado por estruturas específicas de poder. Os primeiros resultados mostram que, a princípio, a partir de uma postura de não aceitação de modelos de construção textual acadêmica, que refletiam posturas coloniais da ciência de base positivista, os estudantes universitários mostram possibilidades de externalização de reflexões sobre seus mundos, seus povos, seus saberes por meio de um diálogo entre saberes tradicionais, que remontam às suas ancestralidades, e a produção científica europeizante produzida nas universidades brasileiras.