5dez 2021
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Multiletramentos e LD: um olhar discursivo sobre leitura/escrita

Desde 1996, o Grupo de Nova Londres (GNL) vem chamando a atenção para o desenvolvimento de uma sociedade plural não só linguística como também culturalmente que se comunica cada vez mais por multiletramentos, ou seja, por textos multifacetados que envolvem diversas semioses e circulam ampla e rapidamente em ambientes cada vez mais digitais. No manifesto A Pedagogy of Multiliteracies (1996), o GNL propõe pensar essas questões que mencionei, mas direcionando-as à escola na defesa de uma pedagogia dos multiletramentos. No Brasil, os multiletramentos integram propostas em documentos oficiais como, por exemplo, a BNCC, que por sua vez influenciam/orientam a produção de livros didáticos (LD). Minha pesquisa, então, objetiva realizar um estudo discursivo sobre as práticas de leitura/escrita que envolvem propostas de multiletramentos presentes no LD Alive High de língua inglesa (MENEZES et al., 2016) a fim de determinar as condições de produção (CP) dessas leitura/escrita e em que sentido essas leitura/escrita se filiam a movimentos parafrásticos (da ordem do mesmo, do repetível) ou polissêmicos (da ordem do novo, do criativo). Usarei o dispositivo teórico-analítico da Análise do Discurso (AD) materialista me apoiando nos trabalhos de Orlandi ([1988], 2012), Pêcheux ([1969], 2019) e Courtine ([1981], 2014) para tratamento do corpus. O corpus será constituído de 19 atividades de leitura/escrita extraídas dos três volumes da coleção Alive High; essas são as atividades de leitura/escrita mais representativas da proposta de atividades que trabalham com os multiletramentos no LD escolhido, ou seja, um grupo de atividades que trabalham com a leitura/escrita na produção de sentidos em textos multifacetados compostos de diversas semioses. Escolhi a referida coleção, dentre outras disponíveis, através dos seguintes critérios: a) é a única que trabalha com a abordagem complexa de aprendizagem de línguas (as outras trabalham com abordagens sócio-histórico cultural/sociointeracional) e isso pode representar um ponto interessante para a análise, ao invés de escolher obras que se repetem quanto à abordagem adotada; b) apresenta uma tiragem significativa de exemplares (quase 04 milhões) desde que começou a figurar como opção de escolha no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) alcançando um público significativo de alunos, professores e escolas; c) terceira obra de língua inglesa mais escolhida desde 2015, de acordo com dados do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE, 2021), sem nunca ter saído do catálogo desde então, o que demonstra boa adesão por parte de professores/escolas. Minha hipótese inicial é a de que as CP das atividades de leitura/escrita que envolvem os multiletramentos no LD escolhido, muito embora apontem também para movimentos polissêmicos, apontam muito mais para movimentos parafrásticos.