5dez 2021
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Nos rastros do ordinário do sentido

Neste trabalho, propõe-se traçar uma definição primária para o conceito de “ordinário do sentido”, proposto por Michel Pêcheux (O Discurso, 1983/2015) mas que não fora completamente desenvolvido devido à sua morte prematura. Assim, neste trabalho, o que se pretende é conjecturar como se poderia compreender o que é este “ordinário do sentido”. Para tal, em acordo com a sugestão do filósofo contra o celibato materialista e através de seus acenos à obra dos filósofos a seguir, segue-se explorando a “análise da linguagem ordinária”, conforme proposto por Ludwig Wittgenstein (Investigações Filosóficas, 1953/2014), e sua reinterpretação pós-estruturalista elaborada por Michel de Certeau (A Invenção do Cotidiano, 1980/1998) nas “artes de fazer”. Do primeiro autor, pretende-se aproveitar os efeitos do primado dos jogos de linguagem para se pensar uma política de língua anti-positivista assentada sob o (im)possível na linguagem; do segundo, a teoria política que preconiza a tensão sempre presente entre a razão técnica do poder e as múltiplas táticas de resistência. A hipótese inicial a ser defendida é que o “ordinário do sentido” não configura um “aspecto” do sentido ou uma forma de circulação, mas sim um (novo) paradigma ou ponto de vista para abordá-lo.