5dez 2021
00:00 UTC
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TikTok: a possibilidade do letramento crítico no ambiente virtual

As relações interpessoais do século XXI não podem ser estudadas sem o papel das ferramentas tecnológicas, sobretudo após o início da pandemia decorrente do novo coronavírus, em que a internet passou a ser ainda mais utilizada pela sociedade de forma geral para as atividades do dia a dia. Ao navegarem, principalmente dentro das redes sociais, os sujeitos não recebem passivamente as informações. Eles têm, com considerável facilidade, o papel de “escrileitor”, conforme proposto por Paveau (2017) – leem e escrevem sobre o que está em circulação. Tal conjuntura permite a determinados teóricos defenderem a indissociabilidade entre as ações sociais do homem e a máquina atualmente. Desse modo, pesquisadores da Linguística Aplicada e da Linguística Textual, conscientes dessa ebulição de possibilidades frente às telas dos aparelhos eletrônicos, vêm tentando lançar uma lupa, cada vez mais atualizada, sobre esse verdadeiro fenômeno que é considerado a WEB e que permite um imbricamento de linguagens nunca antes presenciado. Na esteira dessa inovação, o TikTok, mídia social chinesa, é uma plataforma popular com muitos recursos tecnológicos, permitindo a criação e circulação de práticas comunicativas que possibilitam o debate de diversas temáticas. À vista disso, esta pesquisa objetiva refletir sobre como os discursos presentes nesse ambiente virtual instigam e contribuem para a (des)construção dos pontos de vista e argumentos dos usuários a respeito de dois movimentos sociais: negro e feminista. A partir de um referencial teórico composto por estudos de Bakhtin (2016), Lévy (1999), Volóchinov (2013, 2017) e Xavier (2002), 50 comentários, coletados das postagens dos vídeos de 21 contas, são analisados, a fim de se realizar interpretações sobre os diferentes posicionamentos presentes nesses processos enunciativos tomados como objeto de estudo. Por meio dos resultados obtidos, conclui-se que, ao se constituir como uma arena discursiva, o TikTok corrobora para discursos performativos acerca dos dois grupos sócio-históricos e identitários observados, fazendo com que os interlocutores, os quais sempre assumem papéis ativos-responsivos, efetuem o processo do letramento crítico defendido por Janks (2018), seja para ratificar uma ideia ou refutá-la.